terça-feira, 18 de agosto de 2026

Práticas Exitosas (e Outras Aventuras Docentes) - parte 1




 


A República do café com pão de queijo


Professor de História em escola pública é, antes de tudo, um profissional muito criativo e com muita fé. Quando Edva, a minha colega de área, me procurou no corredor para anunciar que faria uma atividade "diferente" sobre a Política do Café com Leite, meu lado cético acendeu uma luz amarela no painel.

O cenário escolhido para a empreitada foi a nossa majestosa biblioteca do Instituto de Educação. Digo majestosa porque, ao menos até esta atual reforma, o espaço era gigantesco. Tinha sala de reuniões com cara de auditório e uma área de consulta recheada de mesas e cadeiras daquelas de madeira tão pesada que parecem ter sido esculpidas no próprio século XIX. Vale dizer que o prédio passará por uma grande reviravolta: a biblioteca vai mudar de lugar e voltar para a ala direita, recuperando o layout de antes do incêndio de 1953 (se continuará do mesmo tamanho, só a engenharia e o tempo dirão).

Mas voltemos ao café. A ideia da professora era audaciosa: transformar a sala de consulta em uma autêntica cafeteria da Primeira República. A escola entraria com o café, a professora custearia o leite do próprio bolso, e os alunos trariam as quitandas. Para cada mesa, um tema da República Velha: Revolta da Chibata, Voto de Cabresto, Revolta da Vacina... A proposta? Os estudantes deveriam debater os tópicos incorporando personagens da época, como se estivessem num café elegante dos anos 1920.

Confesso que tremi nas bases. Na minha cabeça de historiador ortodoxo vacinado pelas agruras do cotidiano escolar, vi o fantasma do caos se aproximando. “Será que eles vão discutir História ou vão só liquidar o estoque de carboidratos?”, pensei. A desconfiança aumentou quando um aluno me perguntou, com a maior naturalidade do mundo, se poderia levar uma sanduicheira para a biblioteca. Imaginei a cena: fumaça, disjuntor caindo e o cheiro de queijo tostado rivalizando com o cheiro de livro antigo.

Como eu também participaria do projeto, apliquei logo a primeira medida protecionista do nosso "Governo": baixei um decreto proibindo eletrodomésticos e restringindo o cardápio às quitandas tradicionais mineiras, dignas da época.

E no dia D... o milagre pedagógico aconteceu.

Caminhar entre as mesas de madeira pesada foi uma experiência surreal e deliciosa. Em um canto, vi garotos de quinze anos engravatados pelo tom de voz, discutindo com a gravidade de velhos coronéis a queda no preço do saca de café frente à Crise de 1929. Na mesa ao lado, meninos e meninas encenavam um horror genuíno ao debaterem os bota-abaixas da Reforma Pereira Passos. O engajamento era tanto que só faltavam os figurinos de época — embora a postura já fosse digna de um folhetim de Lima Barreto.

No fim do horário, a surpresa derradeira: a sala estava impecavelmente limpa e organizada. Nenhuma migalha de broa para contar história, nenhum derramamento de leite, nenhum resquício de caos.

Aquele "Café da República" me provou algo precioso. Quando a gente sai do feijão-com-arroz da aula expositiva e propõe algo novo — uma sala de aula invertida misturada com teatro e um tiquinho de gastronomia —, os alunos não só abraçam a ideia, como tomam conta da cena. A História deixa de ser um punhado de datas mofadas e ganha vida, cheiro e sabor.

Se essa foi a primeira "prática exitosa" registrada aqui na coluna, que venham as próximas. Só espero que, na nova ala direita da biblioteca, o espaço continue amplo o suficiente para comportar tanto os nossos projetos quanto a imaginação dos nossos alunos.

Ouro Preto e a Escola de Minas: conferência realizada, no edifício da Escola de Minas, em Ouro Preto, pelo dr. Mario de Lima, no dia 12 de outubro de 1921










 Resolvi transcrever integralmente para o blog Aqui um artigo publicado no jornal MINAS GERAES (Domingo, 16 de Outubro de 1921), com as adaptações adequadas para que o texto tenha as regras ortográficas e de pontuação do português atual para facilitar a leitura.

MINAS GERAES — Domingo, 16 de Outubro de 1921 — N. 5

Ouro Preto e a Escola de Minas

(Tradições da cidade e do Instituto)

Conferência realizada, no edifício da Escola de Minas, em Ouro Preto, pelo dr. Mario de Lima, no dia 12 do corrente.

Há quatro dias, apenas, recebi o honrosíssimo convite da comissão de festejos comemorativos do 45.º aniversário da fundação da Escola de Minas, para proferir, hoje, nesta cidade, uma conferência.

Como preparar, em tão amesquinhado prazo, na exaustiva labuta diária do meu cargo, uma conferência digna da solenidade que se comemora? Era-me impossível fazê-lo.

Não é, por isso, propriamente, uma conferência que eu venho realizar.

É, antes, uma simples palestra, cujo tema será: — “Ouro Preto e a Escola de Minas: tradições da cidade e do instituto”.

Quando recebi o telegrama dos distintos moços promotores dos festejos de hoje, confesso que tive um momento de hesitação em aceitá-lo.

Grande era a honra da solicitação. Mas a anuência ao convite não importaria menor sacrifício, de minha parte.

Achava-me, então, em minha mesa de trabalho, submerso no dilúvio de papel do expediente cotidiano.

Depus sobre a mesa o telegrama que me inspirava a encantadora e idolatrada terra ouro-pretana!

Que outro assunto mais grato à minha alma do que falar de ti, da tua grandeza, das tuas tradições, entre as quais avulta este notável instituto, que é bem o teu cérebro e parte, igualmente, do teu generoso e nobre coração?

Eis como já te evoquei uma vez:

“Foco de onde irradiou pela terra mineira

A ideia liberal; microcosmo de um povo

De que serás perpétua e imarcescível bandeira,

Com a luz do teu passado o futuro ilumina...

E, ainda hoje, Vila Rica, — espiritual tesouro —

És, relíquia imortal, a pérola de Minas!”

Ou então:

“Cada ladeira tua é um Tabor. Cada palmeira

De terreno recorda um mártir... A glória

Dourou de suave luz o teu declínio calmo...

Cidade-templo, tens um destino sagrado:

Sobrevives ao tempo, heróica e cerimoniosa,

Aspirando e sonhar o aroma do passado.”

E assim que surges ao meu espírito. Não há, na pátria, ares mais livres que os teus. A própria Natureza dá aos teus filhos o exemplo das nobres rebeldias. O Itacolomy é um grito de pedra.

É uma projeção estratigráfica para os céus, consequente a remotíssima revolução geológica, que nestes sítios se operou.

“Atalaia granítica da serra,

E o emblema orográfico da Inconfidência!

És a intrépida heroína desta terra,

Que em Minas foi da liberdade a essência.”

Compor-me-as em ti um guia de guerra:

Há em ti imagem ingente em teu repouso,

E o teu altivo aprumo inda hoje encerra

Algo de teu início impetuoso.

A Natureza, em suas geniais modas,

Talhou a imagem da alma ouro-pretana,

Soberana às tiranias afoitas,

Cristalizando em ti, com parte de arte,

A acácia da própria terra, que se ergue

Em dois gritos agudos para o espaço.”

Em Ouro Preto, a imaginação não pode abstrair-se das meigas sombras do passado que povoam a cidade. Elas emergem de toda parte... São numes protetores da urbe... São os seus penates, os seus deuses familiares...

Surgem, envoltas, às vezes, nas brancas mantilhas dos poéticos nevoeiros noturnos... Cantam no murmúrio flébil do Funil... Soluçam no ciclo de aragem...

São as sentinelas espirituais da cidade.

Ouro Preto é uma terra de encantamentos!

Evoquemos alguns desses amados fantasmas.

Vestido de couro, facão à cinta, o rosto e as mãos tostados pelo sol, em longas travessias, eis Antônio Dias de Oliveira, o descobridor de Ouro Preto...

Energico e diferente, multiplicando a sua atividade, em empreendimentos diversos, eis o capitão-general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, o fundador de Vila Rica...

Surge agora Paschoal da Silva... É o mais rico possuidor de lavras da terra há pouco descoberta... Tem todo o arraial de Ouro Preto... O morro de S. Sebastião é seu domínio. Às suas ordens trabalham 4.000 escravos...

Mas chegam os dias da revolta de 1720. Amotina-se o povo, inflamado pela palavra de um tribuno ousado.

Paschoal é um dos cabeças do movimento contra as casas de fundição...

Que horrendo espetáculo! A ira do Conde de Assumar manifesta-se formidável. Manda atear o incêndio ao povoado de Paschoal da Silva...

E um morro inteiro que pega fogo; daí o nome que ainda conserva de Morro da Queimada.

E, aos clarões das labaredas que devoram o arraial insubmisso, galopam cavalos bravos arrastando o Mamoppa da liberdade!

É Filipe dos Santos!

“Arde no alto o arraial de Ouro Podre...

(A intervalos,

Subem subindo o céu rubras línguas de fogo.)

E, enquanto lavra o incêndio, o heróico demagogo

Preso à cauda lá vai de indômitos cavalos.

Rangedoramente os cordéis, atalhos

De ossos disjuntos, mais se acalma o jogo

Dessas patas febris. Lá vai, em desafogo

Da corrida, a transpor praças, ruas e vallos.”

Pela estrada, marcando a dolorosa via,

Os frangalhos de corpo em chão profano e duro,

Jazem aqui, ali... Ver declinando o dia...

E um sudário de luz abre o sol moribundo

E, amortalhando o herói em pedaços, lhe envia,

Nos seus raios finais, as bênçãos do futuro.

Outras sombras se levantam do passado.

Eis o chefe da Inconfidência:

“Herói ou semi-louco? A um tempo, semi-louco

E herói. Da Inconfidência é o Quixote fidalgo.

Alma de sonhador, coração de soldado,

Tinha um tanto de heroísmo e de loucura um pouco.”

Alferes Mencionas, teu nome não padece,

Repetido da História o imparcial julgado;

A demência lograr fez-te obstinado:

Desta ardores de fava e assomos de venero.

Não te escaldasse a mente a febre da loucura,

Passarias a ter, na póstera memória,

De um leviano vulgar a simples figura.

Como intrépido réu foi que ganhaste a História:

Por isso é que, apesar de origem tão obscura,

Só teu nome imortal pôde afrontar a glória!

Agora é um casal de noivos, que passa, sussurrando, entre lágrimas os seus amores. Separam-se, em vida, o destino. Caíram no esquecimento, na obscuridade, a imortalidade.

“Poeta e juiz, meu apoio e meu triunfo...”

A função de escrever ficções e de sonhar.

Os albergues harmoniosos de sua lira,

Enaltecem Vila Rica engalanada, à busca do seu fim...

Gonzaga, foi teu acolhimento este meu mentir:

Desfalece, um dia, esta ingênua alma de amor.

Mas no peito obteve o destino te atirar.

Adeus Marília! Adeus amores de minha alma!

Noite, longo vigília em noite de vigília.

Bordada a ponta de ouro, não te esqueço...

Embora, sem razão, a calúnia acuse-a...

Esqueceste-te de mim. Mas tem nesta gleba,

Se inda força há em mim, ó graças a Marília,

Cujo amor inspirou tantas liras do céu...

D. Maria Dorothéa Joaquina de Seixas morreu com cerca de 80 anos, nesta cidade. A Marília, que passou à posteridade, é, porém, perpetuamente jovem. Não perdeu a formosura. Tão envelheceu?

“Vedes como Beatriz ou Laura, saídas da lenda

Gostam da história, Marília, a tua fama é infinda.

Vives na tradição gratuitamente linda.

Nenhuma pode haver de uma auréola assim estupenda.”

De um destino infeliz, em breve, a mão formidável

Te apartou de Dirceu. Porém, o noivado finda.

Ainda vive Gonzaga. A África espera ainda,

Toda a vida a esperar, na poética vivenda.

Mas a poetisa de Dirceu o sonhador das Liras...

E enquanto em Vila Rica, a desvairar, suspiras,

No exílio ele te olvida, em perjúrio nefando.

Que importa oferecer à infância o teu virgem facho

— Teu nome ficou unido a heptacórdio sonoro

Onde a idílio imortal refulge e cantando!

Um velho agora; velho tropeço, abatido, mas em cuja cabeça floresce a corda de louros dos poetas. É Cláudio Manuel:

“Poético e solitário, amaste a Nise. Um facho

Feminina vida, cujo perfil risonho

O amargor do teu pranto às vezes dulcifica.”

Três sombras que se abraçam: Alvarenga Peixoto, Bárbara Heliodora e Maria Efigênia. Alvarenga, inconfidente, quer inalar os amigos. Bárbara Heliodora corta-lhe os lábios, com um beijo, a chorar.

Gênio morre do pó e de vergonha! É um pequeno episódio pitoresco.

Pobre Maria Efigênia:

“Linda como a camélia e pura como o lírio,

Pendida sobre o hastil, antes do desabrochar...

E o que era para ser o roscio, em si, se tornou em tempestade,

Transformando-se a vida em martírio.

Aida de sua luz, que fora alegre e esbelta,

E onde veio pousar da desventura o fecho.

Era de mais de mais de espírito, de profusa,

Vatídico, drapejava como o clarão de um círio.

...E apagou-se... No exílio o pai inconfidente...

Ela definha e os frades... A mãe pobre e demente...

A vergonha, ao recesso do fausto e da fraqueza...

Rebelde vingador do gênio e da beleza,

Brilhas entre dois sóis, como uma permanente aurora:

Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora!”

Que sombra é essa que nos espreita? É o Quasimodo de Victor Hugo? Arrasta-se. Tem pés e mãos mutilados. É um monstro, mas um monstro de gênio, que deixou, em vários templos de Ouro Preto, a afirmação exuberante de seu talento artístico. É o Aleijadinho:

“Tarde, baixos, dolorosos, a catedral borbulha...

Num ritmo de ironia acende o fogo ardente...

Passante à história, ó grande e genial mutilado,

Transfigurou-se pelo apoteose da ferida.

Preso ao chão dos trilhos, na solidão da renda,

Quando o gênio latejou em um quase inaptidão:

Da tua misteriosa e enigma agonia

Queima essa primeira folha desvendada.”

Igrejas de S. João d'El-Rei e de Ouro Preto, templos da graciosa, por onde se ergue o martelo do Quasimodo da nossa arte.

Pedra à inspiração de um Bernini brasileiro!

Esta é uma cidade de memórias, cheia de lugares santos para a nossa história divina. Cada casa é uma recordação gravíssima.

Eis a Casa de Marília:

“Aqui morou — Julieta ouro-pretana —

Marília, a noiva de Gonzaga-Romeu...

Homem nobre de saber, que te engalanas,

Hoje em convento, onde a paixão se escondeu.”

Da terra aquecida e pelas mudo de estrada,

Onde doce efúvio da afeição passara...

E em frente da mesquita franciscana,

Um par de borboletas carinhosas vaga.

Onde em cativeiro, desde o dia triste

Em que Dirceu se ocultou na escura cela

Da imagem, a noiva pensativa viste...

E, atenta a circunstância afortunada,

Recorde-se a sonhar, Marília bela,

Senhora de amor no clássico da saudade.*

Aqui é a casa de Gonzaga, na Rua do Ouvidor.

“O velho casarão de Vila Rica,

Desprovido de arquitetônicos obsoletos,

O teu velho recinto testifica

Um dos cantos mais lindos de Ouro Preto.

Vês, de onde estás, o lar de Carmo-Abaeté?

A casa de Marília, alva e singela...

E com ela cantaria, em sua janela,

O idílio amigo, que vos glorifica.

Tem nas suas paredes imortal cada edifício.

Em ti revives de Thomaz Gonzaga

A alma lírica, em sonho e espontaneidade.

Sonhas, estranho à sorte ambiente e aziaga...

E então teu prístino epílogo,

Enquanto a sombra de Dirceu te afaga.”

Ainda em Antônio Dias, o barracão histórico onde se reuniam os Inconfidentes:

“Jazendo ao fundo da vivenda antiga

De Cláudio Manoel, velho balcão,

De flores trepadeiras não te abriga

A trama vidente e vulto ancião.

O petreo ouvido à escuta, sem fadiga,

Colheste os planos da Conjuração;

E, inda hoje, dessa voz heroica e amiga,

Os ecos vivem em teu seio estão.”

Que panorama esplêndido divisas! Ao luar, em frente vendo, ídola e baliza, as pedras gemeas do Itacolomy.

Cuidas ouvir Cláudio, Maciel, Toledo, Alvarenga, Dirceu... e ver, atrás, toda a mão do Alferes apoiada em ti.

Em outro local da cidade, a Cava dos Cintos, onde morreu Cláudio Manuel da Costa:

“Ângulo, vertente à antiga vertente,

Cova escura, onde o crime se opaca,

E a evaporação saudosa das cordas

Os tigres vibram em angústia fraquinha.”

De torturas e lágrimas transborda!

Há páginas de sangue em teus anais:

Chagas no selo em formidáveis bordas,

Do desespero as sombras espectrais.

Arca das estrofes do Real Contrato:

Outrora ouro roubado e um povo coacto!

Tens tradições mais negras que o terror!

Busto de Cláudio e Palácio-esquife,

E onde se deu glórias te alardeie,

Vem a vista do mártir-escritor.

Embaraça-se o ambiente. Escuta-se outra vez, no bairro de Antônio Dias, a Praça do Tiradentes:

“Praça de Antônio Dias, mais de um meio

De ano é de um mistério, de um segredo.

Guardas aos bancos de granito a medo,

Cujo relva em lívido tramoio.

Neles, em tempos que se vão, o ponto

De piratas ruim. Ouvias, desde então,

Confissões, remoques, sons que eram sem dolo,

Colado ao lábio, interrupção, gemido.

Quantos suspiros de Dirceu ouviste!

Quantas vezes o olhar Marília triste

Pousou em ti, à hora da trindade...

Sob os teus arcos de um fuzil velho...

Igual é o que susurra no teu seio

Albergue de lembranças e saudades!”

As torres das igrejas avultam no panorama da cidade — lembram-se das pompas orientais do “Triunfo Eucarístico” e das procissões de S. Jorge; evocando o esplendor e a fé viva dos nossos maiores:

“Templos de Vila Rica, afamados

Móveis da Fé, beldades da cidade, —

Brancas torres, — nichos da saudade —

Os teus sinos que carpideiras...”

“Chegando ao cume das ladeiras,

Vemos com doce comoção quem há de?

O fausto recordar de martiridade

E o amor das velhas gerações mineiras.

Lavras de cinzel, arcabouços de ouro,

Primores de arte, esplêndido tesouro,

Fazem ao olhar maravilhar...

E nós, de luto, ou a florir em ruínas,

Lápide da pátria, onde hoje soletramos

A piedade e a opulência de Passos!”

O edifício, em que se acha instalada a Escola de Minas, é uma das relíquias de Vila Rica:

“Por mais que se estrague o seu aspecto,

Velho Palácio dos Governadores,

Guardas no vulto e aprumo inesquecível

E no grave de teus painéis murais.

Cidadela de pedra, praça aceita

Para asilo e conforto de opressores,

Hoje agasalhas, sob o mesmo teto,

Da inteligência os ínclitos labores.

Mudaram de destino, mas a sombra

Do despotismo antigo te admira...

Teu ar de fortaleza inda lhe assombra...

E a lembrar do passado o ferro juga,

Junto fronteiro a secular cadeia,

Como um verdugo em frente a outro verdugo.”

II

Que grande mudança de destino! A legenda antiga desta casa, nos dias coloniais, bem podia ser o princípio absolutista do direito público romano: “Quod principi placuit legis habet vigorem.” (O que apraz ao príncipe tem força de lei).

A legenda de hoje é outra. É também latina, mas não significa opressão e tirania. São quatro palavras apenas, que encerram um vasto programa de trabalho e de abnegação pela ciência: Cum mente et malleo (Com a mente e o martelo).

Em seu destino primitivo, desta casa partiam para a Capitania as ordens iníquas, exigências de ouro, espoliações de toda a ordem.

O Palácio dos Governadores exauria Minas para abarrotar com suas riquezas a avidez da metrópole.

Como os tempos mudaram! Nesta casa, acha-se agora instalada a caserna que prepara soldados para as nobres lutas da ciência e para a grande obra da reorganização econômica da pátria.

A Escola de Minas é, sem dúvida, a mais gloriosa oficina da alta instrução profissional no Brasil.

Estabelecimento científico que honra o país, é tal o seu prestígio, tal a sua reputação, que, encravada, embora, no seio destas montanhas, tão longe do litoral, disputa, no estrangeiro, a fama, a adeptos como o de Oswaldo Cruz, situado à beira-mar, na capital da República.

Essa reputação é mantida pela Escola, desde os seus primeiros dias.

Evoquemos hoje, que se comemora o 45.º aniversário de sua fundação, a memória inesquecível de seu fundador.

Henri Gorceix é bem um grande nome, incorporado ao patrimônio científico da nossa pátria.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Datas comemorativas: 20 de setembro

 O calendário é repleto de datas importantes. Se você for professor pode ter certeza que sempre irão cobrar a capacidade da sua memória de lembrar datas e fatos importantes. Uma data que gosto de lembrar é o dia  20 de setembro. Essa data pode ser o motivo para erguer os copos de vinho, afinal de contas esse dia é importante para uma das nações mais admirada do mundo: a Itália. Afinal é o grande dia da unificação da Itália!

Para quem faltou às aulas de história ou andava distraído, a unificação italiana não foi exatamente um jantar tranquilo de domingo em família. Foi um verdadeiro malabarismo geopolítico: sacrifícios imensos, batalhas sem fim e aquele drama digno de ópera para colocar todo mundo sob a mesma bandeira verde, branca e vermelha. Como se não bastasse todo esse contorcionismo histórico, os nossos irmãos italianos ainda tiveram que encarar os baques de uma guerra mundial recente, saindo do outro lado na base da garra, do empreendedorismo e de uma boa dose de orgulho nacional.

E o Brasil com isso? O Brasil observa tudo da arquibancada, batendo palmas e babando no molho de tomate. Afinal, a nossa dívida com o talento, o trabalho e a simpatia da comunidade italiana por aqui é gigantesca. Aliás, nesse dia celebramos também a data natalícia  de ninguém menos que Dante Alighieri — dia esse que sempre terá direito a debates calorosos e, com certeza, muita comida boa.

Mas vamos ao que interessa: a parte prática do patriotismo!

domingo, 16 de agosto de 2026

foto da turma

Sou professor há mais de trinta anos. E, em face das modernidades interconectadas, algumas lembranças surgem e me fazem pensar o quão rápido o tempo anda passando. Por exemplo, lembro de folhear os álbuns de fotografias e me deparar com aquela foto clássica: toda a turma com o seu professor no pátio da escola ou na sua própria sala de aula. Sempre havia uma plaquinha com o nome da escola, a turma e o ano. Isso acontecia provavelmente porque a escola não era só um prédio, era um marco na vida, e a fotografia da turma, ah, essa era o selo, o atestado da passagem. Não era um mero clique, mas um ritual solene, quase um juramento silencioso.

Exemplo vivo desse ritual é esta imagem de uma turma do curso normal do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), registrada por volta dos anos 1960. Ela condensa com precisão cada elemento desse protocolo de época.



Acomodadas no pátio interno do prédio — com a balaustrada e a imponente porta de madeira ao fundo —, as alunas estão organizadas na clássica estrutura em patamares. As da primeira fileira aparecem sentadas em um banco comprido, com pernas cruzadas de lado e as mãos suavemente postas sobre o colo, vestindo a tradicional saia escura e camisa branca de colarinho com cinto. Acima delas, duas fileiras de jovens em pé completam a geometria perfeita do grupo.

No centro exato da imagem, como ponto focal e ancoreiro, está a professora. De traje sóbrio, cardigã escuro e uma pasta ou livro apoiado ao colo, ela encarna a presença serena da autoridade pedagógica. Ao seu redor, a estética dos anos 1960 se revela nos detalhes: os penteados volumosos com topetes e cortes estilo pixie, o alinhamento rigoroso dos uniformes e as feições que oscilam entre a timidez e a altivez de quem se preparava para assumir a missão de educar.

Aos seus pés, repousa o pequeno quadro com a identificação da turma (395 / ENAM - NORMALE), o "selo" definitivo que transforma aquele instante casual em um documento histórico e afetivo.


Eu tenho que confessar que também tenho uma foto dessa. A minha foi tirada no dia da minha formatura em Filosofia na Fafich\UFMG. Eu levei a máquina e pedi a minha tia para fazer a foto. Estão lá  eles, os alunos, enfileirados como pequenos soldados da civilidade, raramente sorrindo, porque a seriedade era a virtude da época. Nas fotos que via antigamente os mais baixos ficavam na frente, sentados no chão ou em banquinhos. Os do meio, nas cadeiras, e os mais altos, ou os maiores, em pé, lá atrás. E no centro, invariavelmente, estava ele ou ela: o Professor, com sua postura austera e o olhar que misturava autoridade e a esperança de ver aquelas sementes florescerem. Na minha foto, tirada no dia da formatura, no auditório Baesse (um grande professor que morreu de forma trágica e prematuramente), estamos todos em pé. Os meus colegas de sala e os professores Newton Bignotto, Terea Calvet de Magalhães, Telma de Souza Birchal. Essa foto é um trofeu. Como queria ter uma com os meus colegas e professores do curso de história. E do ensino médio! As fotos que tenho sáo poucas. Tenho aquela sentado na mesa com o mapa mundi, livros e bandeira do brasil. tirada na minha infância. Tenho uma foto só da minha formatura de história. Hoje nos tempos de instagram isso parece algo impossível.

Se hoje vivemos submersos em um mundo de pura imagem, antigamente, a fotografia de turma não era apenas um instantâneo; era a solenidade emoldurada. Um ritual que marcava, com precisão histórica, a travessia de um ciclo vital: o ano escolar.

A cena era sempre a mesma, ditada por um protocolo não escrito: os alunos dispostos em fileiras minuciosas – os mais miúdos sentados no chão, à frente; os medianos nas carteiras; e os maiores, em postura ereta, ao fundo. No centro dessa formação, qual epicentro da disciplina e do saber, estava o Professor. Sua pose, sempre austera, misturava a responsabilidade da autoridade com a esperança silenciosa que todo educador deposita no futuro.

O significado desse registro coletivo transcende a simples recordação e se divide em três pilares fundamentais:

1.  O Selo Institucional: A foto, muitas vezes ostentando uma plaquinha com o nome da escola, a turma e o ano, era a prova material do trabalho da instituição. Ela atestava o cumprimento de sua missão: formar cidadãos. Era o documento visual que dizia à comunidade e à história: "Esta é a colheita do nosso esforço".

2.  A Identidade Coletiva: Longe do individualismo, a imagem consolidava o espírito de corpo daquela classe. Todos os rostos, em sua seriedade quase obrigatória, reforçavam a unidade e a adesão às normas de conduta da época. A postura contida era a expressão do comportamento "desejável", um testemunho da civilidade incutida pela escola.

3.  O Portal da Afetividade: Mais que um registro formal, a foto era o elo mais terno com o passado. Guardada nos álbuns de família, ela carregava vestígios preciosos: o uniforme impecável, o corte de cabelo da moda, o quadro negro como cenário. Com o tempo, esses detalhes se transformam em portais de memória, acionando a saudade das amizades, do cheiro da sala de aula e da figura imponente do mestre.

 

Por isso, ao depararmo-nos com uma dessas imagens – em preto e branco ou no tom nostálgico do sépia –, sentimos mais do que a passagem do tempo. Sentimos o eco de uma geração inteira, a solenidade de um compromisso e a certeza de que a foto de turma é, essencialmente, a moldura em que a memória insiste em eternizar o tempo que se foi. É o troféu de um ciclo, insubstituível na era dos clicks instantâneos.

É por isso que, ao encontrarmos uma dessas fotos antigas, sentimos um eco. Não vemos apenas rostos distantes; vemos a história de uma geração, a solenidade de um tempo e, no semblante sério do Professor, o peso e a honra de ser o guardião do futuro que eles, ali, enfileirados, estavam prestes a construir. A foto da turma é, e sempre foi, a moldura do tempo que insiste em não passar.

Em tempo, quero deixar registrado que esse texto foi pensado depois de tanto procurar e não encontrar esse único registro de uma época que foi fundamental na minha formação. Queria mostrar para os meus alunos pois vamos fazer uma foto com toda a turma na Praça da Liberdade para a gincana que irá concluir as atividades pedagógicas do quarto bimestre.



sábado, 15 de agosto de 2026

Por que ler "A Normalista", de Adolfo Caminha?






Publicado em 1893, o romance A Normalista, do cearense Adolfo Caminha, é uma das obras mais marcantes e provocativas da literatura brasileira. Embora tenha recebido pouca atenção e certo rechaço na época do seu lançamento — em grande parte pelo incômodo que suas denúncias provocavam —, o livro foi posteriormente reconhecido como um dos pilares do Naturalismo no Brasil.

Com uma crítica social ácida e um tom visceral, Caminha traçou um quadro pessimista e cru da vida urbana em Fortaleza no final do século XIX, expondo sem pudores a podridão moral escondida sob os trajes alinhados da burguesia. A trama acompanha a trágica trajetória de Maria do Carmo. Após a morte de sua mãe, a jovem é entregue pelo próprio pai aos cuidados de seu padrinho, o influente tabelião João da Mata.

À primeira vista, Maria do Carmo tem a rotina de qualquer jovem de sua época: estuda para se tornar professora (daí o título "normalista"), conversa com sua amiga e confidente, e alimenta sentimentos por um pretenso namorado de nível social superior ao seu. Porém, sob o teto em que deveria encontrar proteção, a jovem passa a ser alvo da obsessão e da luxúria do próprio padrinho. O desenrolar é devastador: João da Mata a seduz e engravida. Para conter o escândalo e preservar as aparências perante uma sociedade profundamente hipócrita, o abuso é abafado. O desfecho sela o destino de Maria do Carmo, forçada a se casar com o Alferes Zuza — um homem da polícia por quem ela não nutre qualquer afeto.

A Normalista reúne as principais características do movimento naturalista do final do século XIX. Os personagens são retratados como frutos do meio em que vivem, da hereditariedade e de seus instintos mais primitivos. A razão dá lugar às compulsões físicas e mentais.

Adolfo Caminha desafiou os costumes de seu tempo ao tratar abertamente de temas chocantes para a época, como o incesto, a exploração do corpo feminino e a dominação patriarcal. O romance funciona como um raio-X das elites urbanas e das instituições morais (como a família e o clero), mostrando a distância entre o discurso de virtude e as práticas ocultas do cotidiano.

Por que a obra continua relevante?

Mais do que um clássico do passado, A Normalista oferece uma reflexão contundente sobre a vulnerabilidade feminina e o uso da moral como ferramenta de abafamento e controle social. Ao expor a jornada de Maria do Carmo com realismo brutos e sem floreios, Adolfo Caminha construiu um retrato duradouro das contradições humanas e sociais do Brasil.



Amae Educando: uma revista que marcou a educação brasileira


Ah, a rua Pernambuco! Número 47. Bairro Funcionários. Um endereço em Belo Horizonte que não é apenas um endereço, meu caro leitor. É uma fábrica de milagres.

Se aquele casarão falasse, não falaria. Cantaria. Primeiro foi Ginásio Mineiro. Depois vestiu a toga do Tribunal de Relação. Abriu portas para a lendária professora e escultora belga Jeanne Louise Milde. E viu nascer, entre giz, sonhos e a poeira luminosa das tardes de BH, o curso de Administração Escolar do velho Instituto de Educação de Minas Gerais — o nosso imortal IEMG!

Pois bem. Acontece que no ano em que nasci, o lendário ano de 1967, época em que o mundo parecia girar mais rápido que o Sputnik na imensidão azul do céu, um grupo de alunas decidiu cometer uma loucura. Uma doce e perigosa loucura chamada revista Amae Educando.

Veja você: sem dólares no bolso, sem redes sociais, sem algoritmo. Apenas com a cara, a coragem e a fé inabalável no poder transformador da educação. Era o nascimento da Associação Mineira de Administração Escolar.

A revista se tornou única. Foi, para muitas professoras, a Bíblia que introduzia as mais modernas novidades pedagógicas. A academia, em um dos seus grandes momentos de inovação, conseguiu construir uma ponte sólida entre o que se discutia nos cursos de magistério e pedagogia e o "chão" da escola. Não como uma mestra tradicional que declama o livro decorado para a sua aluna passiva, mas em uma relação horizontal e dialógica, em que a universidade traz teorias e apresenta análises, enquanto a escola mostra na prática o que é inovar e como se pode traduzir o "academês" para o dia a dia de professoras e alunos. Consolidou-se, assim, como um importante espaço de debate, repositório de informações e formação continuada de professores da educação básica.

Em um curto espaço de tempo, a revista alcançou circulação nacional e tornou-se um marco para os profissionais da área técnica e docente. Pelo seu papel fundamental no desenvolvimento da educação mineira e nacional, a Fundação AMAE chegou a receber homenagens oficiais de órgãos públicos, como a Câmara Municipal de Belo Horizonte, ao comemorar suas marcas históricas de publicação.

Anos passaram. Veio a inflação, vieram as crises econômicas, trocaram os governos, mudou o século. O cruzeiro virou cruzado, que virou real, e a revista ali: firme na peleja! Atravessando o Brasil de ponta a ponta, entrando na sala de aula do professor como quem pede licença para acender uma vela no escuro. Promovendo congressos, oficinas, jornais, encontros de almas pedagógicas. Mais de quarenta anos de circulação nacional ininterrupta! A revista era mais resistente que a defesa da seleção canarinho de 1970.

Em 2017, a cinquentona Amae Educando celebrou suas bodas de ouro. O tempo passou, a UEMG herdou o trono, mas nas páginas amareladas daquela edição número 83 ainda dá para ouvir o sussurro visionário das alunas de 1967.

Hoje, como muitas revistas brasileiras importantes, ela não circula mais. Quem sabe alguém poderia recriá-la em uma versão interativa na internet? Eu sei que as coisas mudam de nome e de forma. Mas certas paixões — ah, essas não envelhecem jamais!


Ao IEMG Centenário (1906-2006), de Quitéria Oliveira



Nas primeiras páginas de um dos últimos números publicados da Revista Pedagógica do IEMG, veiculamos o poema de Quitéria Oliveira intitulado "Ao IEMG Centenário". A primeira vez que vi esses versos foi em um banner exposto em frente ao teatro principal da instituição — se a memória não me falha, por ocasião de um projeto de leitura e escrita no qual os alunos lançavam seus próprios livros.

O poema — reproduzido ao final deste texto — articula uma oposição semântica fundamental entre a eternidade/permanência e a transitoriedade/decadência. Assim, o texto constrói a imagem do IEMG não apenas como um monumento arquitetônico centenário, mas como um mecanismo vivo de memória, maternidade social e resistência do saber diante da efemeridade do tempo.

A ideia de permanência remete à vida, à memória e à tradição, sendo representada pela preservação da instituição, pela esperança, pelo saber e pelo impacto geracional ("eterniza-te", "futuro", "energia de muitas vidas"). Já a transitoriedade — termo associado aos conceitos de morte, esquecimento e desgaste — expressa-se pela ação do tempo, pelo envelhecimento físico do prédio e pelo desbotar das estruturas ("tempo imperioso", "fraqueza e o desgaste que a idade no seu ciclo se impõe"). Logo, a tensão poética surge do desejo de suspender a entropia do tempo humano por meio da imortalidade da instituição educacional.

A autora fala a partir de uma posição dupla e privilegiada: a de especialista e supervisora (autoridade pedagógica) e a de sujeito apaixonado (pertencimento e devoção). A recorrência da interjeição "Oh!" ("Oh! Baluarte", "Oh! Casa Rosada", "Oh! Majestoso Instituto") marca a dimensão afetiva do discurso, aproximando o poema de um hino de louvor ou de uma oração laica. Além disso, a estrofe que menciona a travessia "entre o conto de fadas e o pranto" traduz a jornada educacional como uma experiência humana complexa, oscilando entre o idealismo romântico e as dificuldades reais do cotidiano escolar.

No nível discursivo, Quitéria Oliveira utiliza figuras e metáforas concretas para materializar conceitos abstratos de educação, afeto e história. A "Casa Rosada da Educação" atua tanto como ícone visual — o prédio histórico identificado por sua cor marcante e arquitetura imponente — quanto como símbolo de resistência, no qual o termo "Baluarte" eleva a estrutura física à condição de fortaleza moral e cultural que resiste às intempéries do tempo.

O IEMG é representado ainda como uma figura maternal, símbolo de acolhimento e equidade. Ao afirmar que o instituto, "como uma mãe, abraças os teus filhos, todos... sem sobrepujar nenhum", estabelece-se um signo de universalidade e inclusão democrática no ensino público: a escola deixa de ser mero espaço funcional para se tornar matriz geradora de cidadãos.

Por fim, o texto antropomorfiza o prédio secular ("como um ancião, não menoscabem a fraqueza e o desgaste"). A semiótica do envelhecimento traz o duplo sentido da sabedoria acumulada em contraposição à vulnerabilidade da infraestrutura física, gerando um apelo ético de cuidado e preservação. Ao recorrer a signos de nobreza e soberania ("Majestoso", "cetro"), o poema reafirma a liderança histórica do IEMG na formação docente e na educação mineira.




Ao IEMG Centenário (1906-2006)

 

Quitéria Oliveira

Especialista em educação e supervisora do ensino fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais, turno manhã

 

 

 

Oh! Baluarte Casa Rosada,

Que o tempo imperioso,

não dissipe os teus encantos.

Fostes apoio e conforto nas jornadas,

acalento para os que trilharam tua juventude,

esperança para os que trilham tua plenitude.

 

És o sonho...

Sonho dourado!

Dos que ouvem ressoar o teu nome,

Mesmo nos longíquos rincões,

és a certeza,

de um futuro que vislumbra

uma manhã vitoriosa.

 

Como uma mãe, abraças

os teus filhos,

todos... sem sobrepujar nenhum.

 

Oh! Casa Rosada,

eterniza-te, para que sonhos,

sejam sonhados sempre.

 

Aos filhos teus, deixas

uma mensagem

de otimismo e bravura,

como um ancião, não menoscabem,

a fraqueza e o desgaste que

a idade no seu ciclo se impõe.

 

Oh! Casa Rosada

tens a energia de muitas vidas,

que passaram e admiraram

os teus encantos

com a mesma esperança e fantasia,

entre o conto de fadas e o pranto.

 

Oh! Majestoso Instituto,

não perca jamais o teu cetro

és o maior encanto e beleza.

Que sejas na altivez do bom exemplo,

fazendo dos teus filhos, todos...

Cidadãos verdadeiros... guardiões do tempo.