sexta-feira, 13 de março de 2009

Filme da semana - Ser e Ter



  • Ser e Ter (Être et avoir / To Be and to Have) - FRA. 2002, Documentário, 104 minutos. De Nicholas Philibert . Com: Georges Lopez (professor)
  • O documentário acompanha os estudantes de uma escola rural da França, do jardim da infância até o último ano do primário, dos quatro aos 11 anos. O período mostra as crianças em pleno processo de formação do conhecimento e da identidade pessoal, acompanhando-as em sua transição do universo familiar para um ambiente no qual é levado em conta sua individualidade sem pressupostos.


quinta-feira, 12 de março de 2009

A Retreta dos Postais na Rua Pernambuco

A Retreta dos Postais na Rua Pernambuco

Ando devagar pelas calçadas do centro e, de repente, me pego pensando na fragilidade do papel. Houve um tempo em que o mundo cabia num retângulo de cartão. Era preciso pouca coisa: um selo colado no canto, três linhas de letra esmerada e o retrato de uma grande avenida para dizer ao amigo distante que a vida, afinal, ia bem.

Hoje, essa juventude moderna vive presa às telas reluzentes dos telefones, numa vertigem de fotografias efêmeras que duram apenas vinte e quatro horas antes de sumirem no abismo da memória. Parecia-me que o cartão-postal havia se tornado um fóssil, uma relíquia esquecida nas gavetas de algum alfarrábista da Avenida Afonso Pena. Mas o professor de História do velho Instituto de Educação de Minas Gerais resolveu fazer uma travessia poética: usou justamente esse pequeno pedaço de papel para ensinar aos meninos e meninas o peso das imagens e da memória.

A história começou em dias difíceis, de portas fechadas e isolamento, quando o abraço era proibido e a escola existia apenas através de telas distantes. Os alunos, novatos no prédio centenário da Rua Pernambuco, mal conheciam os corredores da própria escola, que no início do século passado abrigara o Tribunal de Relação e a Escola Normal Modelo. Para muitos, a cidade era um mistério restrito às margens do próprio bairro.

Foi então que o mestre lhes apresentou um postal de 1909. Na imagem em sépia, uma Belo Horizonte límpida, de prédios imponentes e praças desenhadas a régua, onde circulavam apenas carruagens elegantes e cartolas. O espanto foi imediato. Onde estavam os carros? Onde estavam os trabalhadores da roça, os vendedores de rua, as casas simples da periferia?

Um garoto da turma 101, com a sabedoria límpida que só a infância guardada nos olhos conserva, matou a charada: “Professor, o cartão-postal é como uma selfie de antigamente, mas que só mostra o que o fotógrafo queria que os outros vissem”. Uma menina completou dizendo que era o Instagram de um tempo sem eletricidade.

A partir daquele instante, os estudantes deixaram de ser meros espectadores do tempo e viraram detetives da memória urbana. Descobriram que a fotografia nunca é neutra; ela escolhe o que quer iluminar e, com o mesmo gesto, lança na sombra o que prefere esconder. Aquela Belo Horizonte reluzente dos postais era uma promessa de modernidade que preferia omitir a dor e o trabalho duro de quem a ergueu com as próprias mãos.

O projeto seguiu seu curso. Em plena quarentena, os meninos foram convidados a olhar ao redor e registrar com a câmera os cantos dos seus próprios bairros — ou a garimpar na rede as imagens que falassem do seu cotidiano. Mais tarde, com o sopro do retorno às aulas presenciais, a magia do papel se fez presente. Aquelas fotos digitais ganharam corpo, foram impressas em formato de postal e circularam de mão em mão pela escola. Num varal estendido pelo corredor, as geografias afetivas da cidade se cruzaram: o olhar do jovem morador da periferia conversava com a arquitetura imponente do centro.

Anos depois, já com a poeira da pandemia assentada, o exercício se repetiu. Os estudantes, recém-chegados de uma caminhada pelos rios ocultos e pelas ruas da capital, puderam perceber que a cidade possui lugares “instagramáveis”, feitos para o encanto rápido dos olhos, enquanto outros cantos de profunda riqueza cultural permanecem ignorados pelo espetáculo das redes.

Olho para essa experiência e sinto um alento no peito. O cartão-postal, esse pequeno pedaço de papel recortado que parecia fadado ao esquecimento, serviu de ponte entre o passado e a pressa do presente. Mostrou a esses jovens que a história não está guardada apenas em livros pesados ou em documentos solenes com carimbo de cartório; ela mora também nos detalhes, no silêncio de uma imagem, naquilo que se mostra e naquilo que se cala.

No fim das contas, a lição que fica nos corredores do IEMG é das mais bonitas: para aprender a olhar o mundo de amanhã, às vezes é preciso parar diante de uma imagem antiga, ter a modéstia de fazer uma pergunta simples e ter a delicadeza de ouvir a resposta que o tempo dá.

Educação


EDUCAÇÃO

A educação é um fenômeno social e universal. É uma exigência da vida social, uma parte integrante das relações sociais, econômicas, políticas e culturais de uma dada sociedade. Se não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade, a educação é socialmente determinada ou seja, é determinada por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. Portanto, a educação é  uma atividade humana necessária à toda existência e funcionamento de todas as sociedades. É o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar em sociedade e a transformá-la em função de necessidades sócio-culturais e econômicas da coletividade.

Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos. Estes ao assimilarem e recriarem essas influências tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social.Tais influências se manifestam através dos(das) conhecimentos, experiências, valores crenças, modos de agir, técnicas e costumes.

Em sentido amplo, educação se refere aos processos formativos que ocorrem no meio social, nos quis os indivíduos estão envolvidos de modo necessário pelo simples fato de existirem nesse sentido. Existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização política, econômica e legal de sociedade, da religião, dos costumes, das formas de convivência humana. Educação não intencional ou educação informal sofre influencias do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. Correspondem aos processos de aquisição de conhecimentos, experiências, idéias, valores, práticas, que estão ligados especificamente a uma instituição e nem são práticas intencionais e conscientes. São situações e experiências casuais, espontâneas, não organizadas, embora influam na formação humana.

Em sentido estrito, a educação ocorre em instituições especificas, escolares ou não, com finalidades explicitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente, deliberada e planificada embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais.

A educação intencional correspondem as influências, onde há intenções e objetos definidos conscientemente (exemplos: educação escolar e educação extra-escolar). Há uma intencionalidade e consciência por parte do educador (que pode ser o pai, o professor, ou um adulto em geral) quanto aos objetivos e tarefas que deve cumprir. Há métodos, técnicas, lugares e condições especificas prévias criadas deliberadamente para suscitar idéias, conhecimentos, valores, atitudes e comportamentos.

As formas de educação intencional podem variar de acordo com o objetivo pretendido: educação não
formal (fora do sistema educacional convencional) – é a educação ministrada pelos movimentos sociais organizados, meios de comunicação de massa, etc; temos também a educação formal que ocorre nas escolas ou outras agências de instrução e educação como igrejas, sindicatos, partidos, empressas (nesses espaços deve haver ações de ensino com objetivos pedagógicos explícitos, sistematizações e procedimentos didáticos.

A educação escolar propriamente dita se destaca das demais por ser suporte e requisito delas.

EDUCACAO = PROCESSO CONSTANTE DE VIR-A-SER.
HOMEM = PESSOA COM STATUS DE SUJEITO

O ser humano não está totalmente condicionado (é mais ou menos livre) e é capaz de tomar decisões em condições adversas.
A educação é o processo que ajuda o sujeito a construir as suas capacidades para atingir a plenitude, apropriando-se dos instrumentos que possibilitam uma participação capacitada; assimilar criticamente a realidade; relativamente decidir, organizar e concretizar ações; transformar o real.
Toda proposta de educação é uma proposta de valores, de um tipo de Homem e um tipo de sociedade. O que requer uma reflexão prévia e continuada e de uma prática coerente com a realidade.


Cartilha do Ministério das Relações Exteriores que busca conscientizar as pessoas contra os vários tipos de tráfico humano na modernidade



Ministério das Relações Exteriores, por meio da Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular (DAC), é um dos atores diretamente envolvidos no enfrentamento ao tráfico de pessoas, assegurando a assistência para brasileiros/as em situações complexas como violência doméstica, desaparecimento, inadmissões, distúrbios psiquiátricos, tráfico de pessoas, conflitos sociais, repatriação, crises humanitárias, entre outros, respeitando-se os tratados internacionais vigentes e a legislação do país estrangeiro.

Em razão desse papel de destaque no contato com brasileiros/as em outros países, a DAC, a Coordenação-Geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes (CGETP) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Organização Internacional para Migrações (OIM) elaboraram Cartilha para orientar e informar sobre direitos e serviços disponíveis aos nacionais quando estiverem fora do Brasil, assim como apresentar recomendações para realizar uma viagem segura.

Para acessar a cartilha, acesse:



BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Tráfico de pessoas e orientações para o trabalho no exterior: modelos, jogadores de futebol e outros profissionais brasileiros. Brasília: Organização Internacional para as Migrações, 2024