O 13 de maio de 1888 e alma do povo brasileiro
Há datas no calendário que não são apenas números impressos no papel; carregam o sopro de vida, o tremor e a dor de um país inteiro. O treze de maio é uma dessas datas. De tudo o que a nossa história já viveu, pouca coisa apaixonou tanto a alma da nossa gente quanto a ideia de ver todo homem livre.
Essa revolta contra a escravidão não nasceu ontem. É coisa antiga, sussurrada nos cantos desde o tempo da conquista. Primeiro, veio o protesto em favor do indígena, o selvagem tupi que não aceitava o grilhão. Depois, quando o negro se irmanou ao branco na lida do chão e na dor do trabalho, soube também lutar com heroísmo, defendendo esta mesma terra contra a invasão holandesa.
Mais tarde, subiu dos quilombos o brado forte de Palmares. Ali o negro mostrou ao mundo o tamanho e a dignidade de quem nasceu para ser livre. E aquela causa, que era de humanidade, acabou por invadir as tribunas e os jornais. Virou a grande e nobre obsessão dos maiores nomes do nosso Parlamento e do nosso jornalismo.
De 1880 em diante, a coisa tomou corpo de vez. Depois do projeto de Joaquim Nabuco — que pedia dez anos para o fim do cativeiro —, homens como José do Patrocínio, Vicente de Sousa, João Clapp, Ennes de Sousa e tantos outros pegaram a bandeira. Pelejaram nos comícios, gastaram a tinta dos jornais, dispostos a completar a obra humana que o Visconde do Rio Branco havia começado.
E o país inteiro foi se acendendo. O movimento abolicionista virou uma onda bonita, que vinha do Norte e ia ao Sul, arrebanhando corações. O povo aplaudia, as alforrias em massa aconteciam nos sertões e nas cidades — como aquela festa libertadora que se viu no Ceará.
Até que veio aquele 13 de maio de 1888. A aspiração mais ardente do nosso povo enfim brilhava, vitoriosa e definitiva. A Abolição era assinada pela Princesa Isabel, sob as bênçãos e o alívio de um país inteiro que finalmente respirava.
Talvez não exista na nossa história uma página escrita assim, tão de perto, a tantas mãos, com a colaboração direta de cada brasileiro. Por isso o treze de maio guarda esse lugar quente no nosso peito. Ele nos faz lembrar do tempo em que as melhores energias e os sentimentos mais puros da nossa gente se juntaram para fazer a coisa certa.
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