Afonso Henrique da Costa Guimaraens (1870–1921), que adotou o nome literário latim-afrancesado Alphonsus de Guimaraens, viveu uma existência marcada por um curioso contraste. Nascido em Ouro Preto, pertencia a uma proeminente família de intelectuais. Era sobrinho do célebre romancista Bernardo Guimarães (autor de A Escrava Isaura) e irmão de outros destacados homens de letras, como o dr. Archanjo Guimaraens e o dr. Arthur Guimaraens.
Exerceu por mais de 20 anos o cargo de Juiz Municipal de Mariana (MG). Longe do recesso puramente boêmio, era um servidor da justiça compenetrado e pai de uma numerosa família — deixou viúva (D. Zenaide de Oliveira) e 14 filhos, quase todos menores de idade, na mais dolorosa orfandade. Integrante da Academia Mineira de Letras, seu nome era constantemente lembrado e aclamado para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL).
Apesar das atribuições cotidianas e das dificuldades financeiras, viveu "eternamente encastellado num sonho azul". As tragédias de sua vida — como a perda precoce de sua noiva e primeira musa, Constança (filha de seu tio Bernardo Guimarães) — não o tornaram amargurado; ao contrário, a dor funcionou para ele como um "crysol" (crisol), uma força purificadora de onde emanavam a extrema bondade e o devocionalismo místico de sua poesia.
Alphonsus cultivava uma escola literária "combatida por muitos": o Simbolismo. Num Brasil ainda muito apegado ao Parnasianismo rigoroso e descritivo, Alphonsus ergueu-se, ao lado de Cruz e Sousa, como a figura máxima da poesia simbolista nacional. Sua poesia é célebre pela espontaneidade, pela musicalidade envolvente e pela profundidade espiritual. A nota fúnebre o compara diretamente a Paul Verlaine (autor de Sagesse), ressaltando seu lirismo suave e melancólico.
Os grandes pilares de sua bibliografia podem ser assim destacados:
Poesia Mística e Elegíaca: Obras-primas como Dona Mystica, Septenario das Dores de N. Senhora, Câmara Ardente e Kiriale.
Obras Póstumas e Prosa: Deixou prontos para publicação livros como Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte e o volume de contos Mendigos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário