sexta-feira, 17 de abril de 2009

Normalista: a canção


A Normalista
Compositores: Benedicto Lacerda / David Nasser


Vestida de azul e brancoTrazendo um sorriso francoNo rostinho encantador
Minha linda normalistaRapidamente conquistaMeu coração sem amor
Eu que trazia fechadoDentro do peito guardadoMeu coração sofredor
Estou bastante inclinadoA entregá-lo ao cuidadoDaquele brotinho em flor
Mas a normalista lindaNão pode casar aindaSó depois que se formar
Eu estou apaixonadoO pai da moça é zangadoE o remédio é esperar
Mas a normalista lindaNão pode casar aindaSó depois que se formar
Eu estou apaixonadoO pai da moça é zangadoE o remédio é esperar
Vestida de azul e brancoTrazendo um sorriso francoNo rostinho encantador
Minha linda normalistaRapidamente conquistaMeu coração sem amor
Eu que trazia fechadoDentro do peito guardadoMeu coração sofredor
Estou bastante inclinadoA entregá-lo ao cuidadoDaquele brotinho em flor



A música "A Normalista" foi composta por Benedito Lacerda e David Nasser em 1944, e imortalizada na voz de Nelson Gonçalves, É  uma obra emblemática do repertório da música popular brasileira que retrata a idealização romântica e os costumes urbanos do Brasil da meados do século XX.

Quem eram as normalistas?

As "normalistas" eram as alunas das Escolas Normais — instituições voltadas à formação de professoras primárias, tidas como símbolos de elegância, virtude e modernidade na época. Normalmente, entravam na escola normal com 14 anos (o curso era de três anos) e terminavam com 17 anos. O uniforme tradicional, mencionado na canção ("Vestida de azul e branco"), tornou-se uma marca registrada da juventude feminina estudante daquele período.

O estilo da música pode ser definido como uma marcha-canção. E tem por tema o amor de um homem mais velho (à primeira vista) por uma jovem estudante da Escola Normal. A canção estabelece uma espécie  de contemplação ingênua, articulando alguns pontos centrais:

  • Idealização e Pureza: A figura da normalista é descrita com traços de delicadeza, graciosidade e vivacidade ("sorriso franco", "brotinho em flor"). A vestimenta azul e branca reforça a aura de modéstia e candura.

  • Transformação do Eu Lírico: A narrativa contrapõe o estado inicial de desilusão ou isolamento do narrador ("coração sem amor", "fechado dentro do peito") com a renovação afetiva proporcionada pela presença da jovem.

  • Interditado Social e Moral dos Anos 1940: A letra estabelece limites bem claros impostos pelas convenções sociais da época: a prioridade da formação educacional antes do matrimônio ("Não pode casar ainda / Só depois que se formar") e a autoridade paterna vigilante ("O pai da moça é zangado").


O vocabulário reflete o linguajar e as gírias do período, como o uso do termo "brotinho" para se referir a uma mulher jovem, além de utilizar uma estrutura métrica simples e rimas diretas, garantindo fácil memorização e apelo popular.

A canção permanece como um valioso registro poético e sociológico sobre a moral, o namoro e o imaginário em torno da educação feminina no Brasil de meados do século passado.


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