quinta-feira, 12 de março de 2009

A relação entre educação e filosofia

EDUCAÇÃO

É um fenômeno social e universal.
É uma exigência da vida social.
É uma parte integrante das relações sociais, econômicas, políticas e culturais de uma dada sociedade.
Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. A educação é socialmente determinada ou seja, é determinada por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas.
É uma atividade humana necessária à toda existência e funcionamento de todas as sociedades.
É o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar em sociedade e a transformá-la em função de necessidades sócio-culturais e econômicas da coletividade.
Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos. Estes ao assimilarem e recriarem essas influências tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social.
Tais influências se manifestam através dos(das) conhecimentos, experiências, valores crenças, modos de agir, técnicas e costumes.
Em sentido amplo, educação se refere aos processos formativos que ocorrem no meio social, nos quis os indivíduos estão envolvidos de modo necessário pelo simples fato de existirem nesse sentido. Existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização política, econômica e legal de sociedade, da religião, dos costumes, das formas de convivência humana. Educação não intencional ou educação informal sofre influencias do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. Correspondem aos processos de aquisição de conhecimentos, experiências, idéias, valores, práticas, que estão ligados especificamente a uma instituição e nem são práticas intencionais e conscientes. São situações e experiências casuais, espontâneas, não organizadas, embora influam na formação humana.

Em sentido estrito, a educação ocorre em instituições especificas, escolares ou não, com finalidades explicitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente, deliberada e planificada embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais.
A educação intencional correspondem as influências, onde há intenções e objetos definidos conscientemente (exemplos: educação escolar e educação extra-escolar). Há uma intencionalidade e consciência por parte do educador (que pode ser o pai, o professor, ou um adulto em geral) quanto aos objetivos e tarefas que deve cumprir. Há métodos, técnicas, lugares e condições especificas prévias criadas deliberadamente para suscitar idéias, conhecimentos, valores, atitudes e comportamentos.
As formas de educação intencional podem variar de acordo com o objetivo pretendido: educação não formal (fora do sistema educacional convencional) – é a educação ministrada pelos movimentos sociais organizados, meios de comunicação de massa, etc; temos também a educação formal que ocorre nas escolas ou outras agências de instrução e educação como igrejas, sindicatos, partidos, empressas (nesses espaços deve haver ações de ensino com objetivos pedagógicos explícitos, sistematizações e procedimentos didáticos.

A educação escolar propriamente dita se destaca das demais por ser suporte e requisito delas.

EDUCACAO = PROCESSO CONSTANTE DE VIR-A-SER.
HOMEM = PESSOA COM STATUS DE SUJEITO

O ser humano não está totalmente condicionado (é mais ou menos livre) e é capaz de tomar decisões em condições adversas.
A educação é o processo que ajuda o sujeito a construir as suas capacidades para atingir a plenitude, apropriando-se dos instrumentos que possibilitam uma participação capacitada; assimilar criticamente a realidade; relativamente decidir, organizar e concretizar ações; transformar o real.
Toda proposta de educação é uma proposta de valores, de um tipo de Homem e um tipo de sociedade. O que requer uma reflexão prévia e continuada e de uma prática coerente com a realidade.

Segundo Leandro Konder, no seu livro Filosofia e educação[1], a relação (o diálogo) entre as Filosofia e Educação pode ser assim apresentado:

Filosofia e educação “São duas palavras, dois substantivos. Educação é uma atividade que existe (e sempre existiu) em todas as sociedades. A palavra vem do latim, educere (conduzir, guiar) e educare (dar de comer a). a fusao dos dois verbos latinos deu, em português, educar.
Quando nascemos, somos seres incrivelmente frágeis. Nossa sobrevivência depende da existência de adultos capazes de nos proteger e de nos e ensinar a sobreviver.
Houve um tempo em que o essencial da educação consistia em ensinar as crias (crianças) a caçar, a pescar, a falar, a empunhar machados e lanças, a plantar e colher.
Pouco a pouco, os seres humanos foram aprendendo a se organizar de maneira complexa, hierarquizada: uns mandavam, os outros eram obrigados a obedecer. Os avanços tecnológicos permitiram um aumento considerável na produção do trabalho. A exploração do trabalho escravo passou a ser um bom negócio.
Os habitantes dessas sociedade complexas eram, eles mesmos indivíduos complexos. Suas inquietações se refletiam em suas religiões.
[...]
As pessoas desenvolveram a capacidade de refletir sobre o que viam. Refletir vem do latim, re flecture (debruçar-se outra vez).
Os indivíduos não se contentavam com o que percebiam num primeiro contato com a coisa: esforçavam-se para rever suas idéias tradicionais (as idéias tradicionais da religião)”[2]

Essa relação foi estabelecida desde a antiguidade clássica, os filósofos gregos ao empreender a busca pela arete humana, iniciaram as discussões sobre a filosofia da educação e seu sentido no mundo. Os helenos viam na prática educativa um meio necessário para o alcance de uma cultura ideal e de uma alma purificada, capaz de elevar o homem ao conhecimento inteligível, apostando na busca de um ideal artístico de cultura.
Platão representa a busca pela educação perfeita (ideal) na metáfora da “alegoria da caverna”, no momento em que um dos homens acorrentados no fundo de uma caverna consegue se libertar sucessivamente tanto ignorância (agnosis) presente na escuridão e do indefinido, como do impreciso e pseudo saber da opinião (doxa). Ao se ver livre dessas amarras, ele consegue enxergar a luz da verdadeira realidade. “O caminho da Filosofia, para Platão, era o de conhecer a realidade por conceitos, até perceber que a própria realidade é, ela mesma, o mundo das idéias, dos conceitos puros, ou mais exatamente, das formas puras”[3]
Na visão platônica, a Filosofia deveria transcender a contingência histórica, contribuindo para o processo de esclarecimento do verdadeiro saber, abandonando os conhecimentos falsos e equivocados, a boa educação seria a educação que forma as virtudes, onde o ser humano tornar-se culto e erudito. E, nessa óptica, a prática educativa se tornou um dos mais importantes objetos de análise e reflexão da Filosofia desde a antiguidade clássica. É possível afirmar inclusive que a Filosofia da Educação apareceu da forte relação com a Filosofia e a pedagogia estabelecido no decorrer dos anos, pois o pensamento filosófico sempre se preocupou com as formas do conhecimento perfeito, orientou o homem segundo a razão, inferindo um pensamento pedagógico que busca a perfeição. Assim, percebe-se a disciplina sendo marcada pela história do pensamento filosófico, com fundamentos e objetivos voltados aos entendimentos da tradição.

A disciplina Filosofia da educação, ao longo da sua história, contribuiu para esclarecer uma serie considerável de dúvidas, o que ajudou nas transformações qualitativas na sociedade. Assim é necessário retomar e discutir o sentido do filosofar nos cursos de formação de professores, para que os novos mestres possam atribuir novos significados às práticas docentes. Hoje em dia, não basta simplesmente explicitar o modelo de ensino idealizado ou lógico segundo os cânones filosóficos em voga, mas torna-se premente reconduzir as propostas pedagógicas a partir do reconhecimento intersubjetivo e hermenêutico da ligação entre o saber filosófico e a prática da educação. Sob essa perspectiva,

“os programas de ensino contemplariam não somente a teoria filosófica, mas a sua reflexão com a problemática educacional, possibilitando a comunicação e a articulação dos conhecimentos. Para tanto, o currículo ao contrário de ser um conjunto de conhecimentos a serem ensinados, necessita promover rupturas epistêmicas, desenvolvendo discussões seletivas, no qual um grupo responsavelmente organizado reconhece e aprecia os saberes necessários e significativos.
Entende-se que a validade da Filosofia da Educação depende da maneira como são efetivados os estudos filosóficos. A simples transmissão de pensamentos clássicos ou a discussão superficial de temas desacoplados da prática pedagógica não efetiva a reflexão e compreensão dos aspectos educativos. É necessária uma formação cultural qualitativa de comunicação reflexiva que proporcione o entendimento hermenêutico do papel da filosofia na educação.. Sendo assim, a apropriação de um entendimento crítico, mediado intersubjetivamente, voltada às inovações da filosofia contemporânea, pode proporcionar o desocultar das implicações sistêmicas e racionalistas, operacionalizando novas competências nas dimensões da formação humana, assim como a produção de novas vias de esclarecimento no ato de educar.[4]
[1] KONDER, Leandro. Filosofia e educação: De Sócrates a Habermas. Rio de Janeiro: Forma & Ação, 2006. p, 13-14.
[2] KONDER, op. cit., p. 13-14.
[3]GHIRALDELLI, Paulo. Neopragmatismo, Escola de Frankfurt e Marxismo. Rio de Janeiro: DP&A, 2001, p. 32-33.
[4] VIERO, Catia Piccolo. TREVISAN, Amarildo Luiz. CONTE, Elaine. Filosofia da educação a partir do diálogo contemporâneo entre analíticos e continentais. In: Abstracta 1:1 pp. 92 – 107, 2004.

6 comentários:

  1. Por Clovis Antonio Chaves. Aluno do 1º Período do curso de letras da Uni-BH
    Considerando, a partir do exposto acima, que: A educação é um processo que auxilia a humanidade a atingir sua plenitude, assimilar criticamente a realidade e transformar o meio que o indivíduo vive, de forma reflexiva e que conforme o Platão a educação é um processo que auxilia a humanidade a formar suas virtudes e tornar-se culto erudito.
    Torna-se necessário um estudo da Filosofia da Educação de forma transcender o simples ato de reproduzir conceitos já postulados.
    A Filosofia da Educação deve então, além de contemplar todo esse emaranhado de teoria filósofica, realizar uma reflexão com a problemática educacional.
    Deve-se proporcionar ao educando, DISCUSSÕES, a luz de nossa realidade hoje com o auxilio desses postulados filosóficos, a fim de obter uma práxis no dia-a-dia mais alinhada com o que nossa (pós)modernidade exige, fazendo juz à propria definição de Filosofia e Educação.

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  2. GOSTEI, CONTRIBUIU BASTANTE PARA A MINHA PESQUISA...

    JOÃO PAULO
    BARRA D'ALCÂNTARA-PI

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  3. Ronaldo, você poderia me dizer os impactos da filosofia na educação?

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  4. adorei, obrigada mesmo. estou na primeira semana de aulas do curso de letras!

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  5. valeu, muito esclarecedora, foi importante pra comclusao de meu trabalho na faculdade

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