sábado, 15 de agosto de 2026

Amae Educando: uma revista que marcou a educação brasileira


Ah, a rua Pernambuco! Número 47. Bairro Funcionários. Um endereço em Belo Horizonte que não é apenas um endereço, meu caro leitor. É uma fábrica de milagres.

Se aquele casarão falasse, não falaria. Cantaria. Primeiro foi Ginásio Mineiro. Depois vestiu a toga do Tribunal de Relação. Abriu portas para a lendária professora e escultora belga Jeanne Louise Milde. E viu nascer, entre giz, sonhos e a poeira luminosa das tardes de BH, o curso de Administração Escolar do velho Instituto de Educação de Minas Gerais — o nosso imortal IEMG!

Pois bem. Acontece que no ano em que nasci, o lendário ano de 1967, época em que o mundo parecia girar mais rápido que o Sputnik na imensidão azul do céu, um grupo de alunas decidiu cometer uma loucura. Uma doce e perigosa loucura chamada revista Amae Educando.

Veja você: sem dólares no bolso, sem redes sociais, sem algoritmo. Apenas com a cara, a coragem e a fé inabalável no poder transformador da educação. Era o nascimento da Associação Mineira de Administração Escolar.

A revista se tornou única. Foi, para muitas professoras, a Bíblia que introduzia as mais modernas novidades pedagógicas. A academia, em um dos seus grandes momentos de inovação, conseguiu construir uma ponte sólida entre o que se discutia nos cursos de magistério e pedagogia e o "chão" da escola. Não como uma mestra tradicional que declama o livro decorado para a sua aluna passiva, mas em uma relação horizontal e dialógica, em que a universidade traz teorias e apresenta análises, enquanto a escola mostra na prática o que é inovar e como se pode traduzir o "academês" para o dia a dia de professoras e alunos. Consolidou-se, assim, como um importante espaço de debate, repositório de informações e formação continuada de professores da educação básica.

Em um curto espaço de tempo, a revista alcançou circulação nacional e tornou-se um marco para os profissionais da área técnica e docente. Pelo seu papel fundamental no desenvolvimento da educação mineira e nacional, a Fundação AMAE chegou a receber homenagens oficiais de órgãos públicos, como a Câmara Municipal de Belo Horizonte, ao comemorar suas marcas históricas de publicação.

Anos passaram. Veio a inflação, vieram as crises econômicas, trocaram os governos, mudou o século. O cruzeiro virou cruzado, que virou real, e a revista ali: firme na peleja! Atravessando o Brasil de ponta a ponta, entrando na sala de aula do professor como quem pede licença para acender uma vela no escuro. Promovendo congressos, oficinas, jornais, encontros de almas pedagógicas. Mais de quarenta anos de circulação nacional ininterrupta! A revista era mais resistente que a defesa da seleção canarinho de 1970.

Em 2017, a cinquentona Amae Educando celebrou suas bodas de ouro. O tempo passou, a UEMG herdou o trono, mas nas páginas amareladas daquela edição número 83 ainda dá para ouvir o sussurro visionário das alunas de 1967.

Hoje, como muitas revistas brasileiras importantes, ela não circula mais. Quem sabe alguém poderia recriá-la em uma versão interativa na internet? Eu sei que as coisas mudam de nome e de forma. Mas certas paixões — ah, essas não envelhecem jamais!


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