Durante séculos, a Carta de Pero Vaz de Caminha permaneceu "desaparecida" nos arquivos do Torre do Tombo, em Portugal, e só foi redescoberta e publicada no final do século XVIII (em 1773 pelo historiador Manuel Ayres de Cazal). Antes dessa descoberta, a principal referência sobre o achamento do Brasil era o relato do historiador português
Gaspar Correia (na obra
Lendas da Índia), que registrou erroneamente a chegada da esquadra de Cabral no dia
3 de maio de 1500 — dia em que o calendário católico celebrava a
Invenção da Santa Cruz (daí o primeiro nome dado à terra ser
Terra de Santa Cruz).
Quando a República foi proclamada em 1889, os novos governantes buscaram criar um calendário de "festas cívicas" para substituir as datas da Monarquia. O Marechal Deodoro da Fonseca assinou o Decreto nº 155-B, de 14 de janeiro de 1890, instituindo formalmente o dia 3 de maio como feriado nacional para comemorar a "descoberta do Brasil".Portanto, em 3 de maio de 1921, a data oficial estabelecida pela legislação federal republicana para comemorar o achamento do Brasil era o dia 3 de maio, e não 22 de abril.
Embora os historiadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) já soubessem desde o século XIX que a Carta de Caminha indicava o dia 22 de abril, a data de 3 de maio permaneceu no imaginário popular e no calendário oficial da Primeira República até 1930. Foi somente durante o Governo Provisório de Getúlio Vargas, por meio do Decreto nº 19.488, de 15 de dezembro de 1930, que o calendário de feriados nacionais foi reformulado, corrigindo oficialmente a data do Descobrimento do Brasil para 22 de abril e abolindo o feriado do dia 3 de maio.
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